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Blocos de Carnaval voltam ao Campo Grande com reforço de segurança e trio elétrico extra

Depois de duas temporadas com roteiro reduzido, os blocos tradicionais confirmam circuito completo. Moradores esperam festa sem repetir os problemas de acesso e desidratação de anos anteriores.

13 jun 2026Marina CostaSalvador, BA

Atualizado em 13 de junho de 2026, às 14h30

Multidão acompanha trio elétrico no circuito do Campo Grande

O Campo Grande voltou a ter aquele burburinho de pré-temporada que só quem mora perto conhece: caminhão de som passando devagar, ensaio de abadá na calçada e vizinho perguntando qual bloco vai sair primeiro. Nesta quinta-feira, representantes de 14 blocos tradicionais confirmaram o retorno do circuito completo — com uma novidade que já está sendo comentada nos grupos de WhatsApp: um trio elétrico extra reservado para os blocos menores que perderam espaço nas edições recentes.

"A gente não quer só festa bonita no Instagram. Quer gente chegando em casa inteira", disse Renata Cunha, porta-voz da associação de blocos do bairro. O plano inclui banheiros químicos a cada 300 metros, três postos de hidratação gratuita com água e isotônico, e um corredor exclusivo para ambulâncias ao longo de toda a rota.

Vista aérea ilustrativa do circuito de blocos na região do Campo Grande
O circuito percorre ruas tradicionais do Campo Grande, com concentração a partir das 14h nos finais de semana de prévia.

Na coletiva, a prefeitura apresentou mapa com pontos de interdição e desvios para carros. Motoristas que usam a região para cruzar a cidade devem se preparar: entre 12h e 22h nos dias de bloco, o trânsito muda completamente. O aplicativo de transporte já sinalizou áreas de embarque alternativas perto da estação de metrô.

Para quem vende na rua, a notícia é dupla. Quitutes e bebidas devem ter movimento forte — mas a fiscalização promete rigor com ambulantes sem alvará temporário. Dona Zuleide, que trabalha com acarajé há 22 anos na esquina da Rua Carlos Gomes, comemorou: "Ano passado o bloco passou longe. Este ano a rota volta a cortar aqui. Já comprei óleo extra."

O que muda na prática

O cronograma divulgado prevê saídas escalonadas aos sábados de julho e agosto, com blocos de grande porte alternando com agremiações de bairro. A segurança privada será reforçada nos cruzamentos, e monitores de conflito — treinados para mediação — circularão com coletes identificados.

Há também recomendação explícita contra copos de vidro no circuito. Copos biodegradáveis serão distribuídos nos postos de hidratação. Quem insistir no vidro pode ser convidado a deixar o percurso, segundo os organizadores.

Marina Costa acompanhou a coletiva e conversou com foliões que participaram das edições enxutas. O tom é de otimismo cauteloso: todo mundo quer a festa de volta, mas ninguém esqueceu fila interminável, falta de água e celular sem sinal. Se a promessa se cumprir, o Campo Grande pode reassumir o papel de berço do carnaval de rua fora de temporada — com respeito a quem mora, trabalha e também quer curtir.

Para quem está planejando ir: chegue cedo se quiser lugar perto do trio, use calçado fechado e combine ponto de encontro com amigos antes da bateria começar — sinal de celular costuma falhar quando a multidão fecha o quarteirão. E leve dinheiro em espécie: nem todo ambulante aceita pix no calor do bloco.

Retrato de Marina Costa

Marina Costa

Repórter de cultura popular no PulsaClick. Cobre carnaval, samba e manifestações de rua há oito anos. Natural de Salvador, começou a carreira em blog de bairro antes de migrar para redações digitais.